Arquivos para Maio 16th, 2008

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Caloira violada em pleno Enterro da Gata

Maio 16, 2008

 Estou perplexa!! Soube desta notícia hoje de tarde e nem sei como comentar isto…

Como é possível haver pessoas capazes de tal!?! O que me deixa mais abalada com tudo isto é o facto de ser num local tão conhecido, estive lá em duas noites do enterro e o ambiente vivido é de camaradagem, de festa, diversão. O verdadeiro espírito académico, em que os exageros acontecem, é verdade, mas sempre controláveis por quem não quer cometer exageros desmedidos. Que tal sirva de reflexão para muitas pessoas…

“Uma aluna de 18 anos, caloira do Curso de Biomedicina da Universidade do Minho, foi violentamente agredida e violada no recinto do Gatódromo, em Braga, onde ontem à noite terminou o programa do Enterro da Gata 2008 – a festa dos estudantes. Tudo aconteceu na madrugada da passada segunda-feira – segundo dia da semana académica, no Minho.

“Estava na barraquinha do curso e ele arrastou-me. Pensei que queria conversar e beber um copo, nunca desconfiei dele até porque ele é cardeal do curso e tem por dever proteger os caloiros”, contou ao CM a estudante, muito abalada com o caso, pedindo para manter o anonimato.

Eram cerca das 04h00. “Fomos para uma barraca grande que estava vazia e ele tentou convencer-me a ter relações com ele. Eu neguei e até lhe falei várias vezes da namorada dele, que também é caloira do meu curso. Mas ele não ligou e começou a empurrar-me contra a parede e a bater-me. Não conseguia fazer frente à força dele. Estava muito escuro e apesar de gritar, a música estava alta e ninguém me ouvia”, contou a custo.

O agressor terá então arrancado a roupa da caloira. “Fez todo o tipo de sexo. Está toda rasgada, toda pisada, com hematomas na cabeça e até nos seios. As costas estão todas arranhadas e mal consegue andar, porque está toda dorida”, relatou a mãe da vítima que não consegue esconder a revolta perante a brutalidade da agressão. “Depois de fazer tudo o que queria com ela, arrastou-a para fora da barraca e deixou-a lá. Os amigos encontraram-na a chorar, mas pensaram que era fruto dos copos que tinha bebido”, disse a progenitora que só soube da violação um dia depois.

“Ela não contou nada a ninguém porque tinha vergonha. Veio para casa e foi ao Hospital da Póvoa de Varzim fazer exames. Está muito traumatizada e agora diz que não quer saber mais do curso”, conta a mãe, angustiada.”

Correio da Manhã

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Um herói: Padre Joaquim Ferreira da Silva

Maio 16, 2008

Este post demorou aqui a aparecer por dificuldades a nível de tempo, mas mais vale tarde do que nunca, afinal foi este herói quem me baptizou :) Uma pessoa que marcou a sua comunidade e transmitiu grandes lições de vida.

Passados 45 anos, o padre Joaquim Ferreira da Silva, capelão do campo de concentração em Pondá, foi louvado a título póstumo, com a Medalha Militar de Serviços distintos, grau ouro, com palma.

Mas estão-se a perguntar o que este jesuíta fez de tão louvável para merecer tal. Aqui fica a transcrição do sucedido:

“Os acontecimentos reportam-se a 1962 e ao campo de concentração de Pondá, onde estiveram presos durante largos meses cerca de 1750 militares e civis, na sequência da invasão de Goa, Damão e Diu pela União Indiana. O episódio em causa foi presenciado pela quase totalidade dos prisioneiros e viria a ser relatado por um dos oficiais que ali esteve detido. Foi no livro ‘A Queda da Índia Portuguesa. Crónica da Invasão e do Cativeiro’ (Estampa), que o coronel Carlos Alexandre de Morais descreveu o sucedido no dia 19 de Março de 1962, e que poderia ter redundado num massacre.
Tudo começou com uma tentativa de fuga por parte de três prisioneiros, que procuraram evadir-se no meio do lixo transportado pela camioneta que todos os dias fazia a limpeza do campo. Quando a viatura se preparava para transpor a porta de armas, um furriel – que Carlos de Morais não nomeia -, denunciou a tentativa de fuga ao comando indiano. Dois dos três fugitivos foram imediatamente detidos, mas o terceiro escapuliu, misturando-se com “a multidão de prisioneiros que acorreu ao local”. Ao mesmo tempo, o delator, identificado pelos restantes prisioneiros, teve que ser retirado do campo pelos militares indianos, para evitar um provável linchamento. Um major indiano avisou então que, caso se repetisse uma tentativa de evasão, não hesitaria em fuzilar os seus autores – o que mereceu um protesto de um dos oficiais portugueses mais graduados, invocando a Convenção de Genebra.
O caso parecia sanado, até à chegada do brigadeiro Sagat Singh, comandante-geral dos Campos de Prisioneiros de Goa. Mandou formar os prisioneiros, enquanto montava em seu redor todo um aparato bélico: metralhadoras, bazucas, morteiros. E, em frente da porta de armas, um ameaçador pelotão armado. Foi ainda a quente que o padre Ferreira da Silva descreveu os acontecimentos de que foi o principal protagonista, num artigo publicado na revista ‘Magnificat’, em 1962. Conta o jesuíta (à época, tenente capelão de Pondá) que o brigadeiro “mandou formar os soldados e perguntou se alguém queria castigar o delator. Ao contrário do que esperava, os rapazes responderam em coro: “Todos!” O homem ia indo aos arames. Mandou perguntar se tinham entendido bem. E a resposta foi igual: “Todos!” Manda então preparar o pelotão de fuzilamento e carregar as metralhadoras. Perante o risco iminente de uma carnificina, o ex-missionário saiu da formatura e dirigiu-se ao brigadeiro. “Pedi licença para falar e perguntei-lhe se, como capelão, desejava que dissesse alguma coisa aos homens. Mas a resposta foi seca: “Não! É demasiado tarde! É preciso dar uma lição a todos”. Insisti, pedindo que desse aos homens uma oportunidade. Negou novamente, perguntando se tínhamos sido alguma vez maltratados. Respondi que não, mas que já tínhamos sofrido bastante para merecermos que nos fosse dada uma oportunidade. Disse outro não muito seco e, voltando-se para trás, mandou avançar o pelotão de fuzilamento. Lancei então o último pedido desesperado, convencido da sua inutilidade: ‘Senhor, dê-nos uma oportunidade. É a primeira. Nunca teve razão séria de queixa. Por favor, dê-nos uma oportunidade’. ‘Está bem’ – respondeu – ‘mas diga-lhes que será a última’”. O brigadeiro indiano exigiu então um pedido de desculpas. O sacerdote dirigiu-se aos presos: “Rapazes, o sr. brigadeiro quer ouvir uma palavra de desculpa. Depois de a pedirem em coro, o brigadeiro deu-se por satisfeito. Agradeci, saudei e afastei-me. A tempestade terminara”.”

José Pedro Castanheira

Visitem o blog Penso Visual para saberem informações mais detalhadas. ;)